Abandono de idosos em hospitais já iguala número de casos de todo o ano de 2025 no Amazonas

Abandono de idosos em hospitais já iguala número de casos de todo o ano de 2025 no Amazonas

Seis casos de abandono familiar de pessoas idosas em unidades de saúde foram registrados no Amazonas entre janeiro e julho de 2026. O levantamento, baseado em dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), mostra que o número alcançado nos primeiros sete meses deste ano já corresponde ao total contabilizado durante todo o ano de 2025.

Manaus aparece com dois registros em 2026. As demais ocorrências foram identificadas nos municípios de Autazes, Itapiranga, Santo Antônio do Içá e Tonantins, com um caso em cada cidade.

No ano passado, a quantidade de registros também chegou a seis. Manaus teve duas ocorrências, enquanto Envira, Lábrea, Manacapuru e São Gabriel da Cachoeira registraram um caso cada.

Apesar dos números oficiais, a situação pode ser ainda mais ampla. De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa recebe denúncias envolvendo pacientes que permanecem nas unidades de saúde mesmo depois de receberem alta, porque familiares não retornam para buscá-los.

A delegada Larissa Barreto, responsável pela unidade especializada, relata que esse tipo de ocorrência chega com frequência à polícia. Segundo ela, há situações em que familiares deixam o idoso durante o atendimento médico e não acompanham o tratamento ou deixam de retornar à unidade após a alta.

Antes de uma ocorrência ser encaminhada à polícia, equipes de assistência social dos próprios hospitais costumam tentar localizar os familiares e encontrar uma solução para o caso. Quando essas medidas não têm resultado, a situação é formalizada e os documentos são encaminhados às autoridades para investigação.

A polícia, no entanto, avalia cada situação individualmente. O fato de um idoso permanecer no hospital sem a presença de familiares não significa, automaticamente, que houve crime de abandono.

Durante a apuração, são consideradas as circunstâncias enfrentadas pela família, como dificuldades financeiras, falta de uma rede de apoio ou até mesmo a impossibilidade de deixar o trabalho para acompanhar o paciente.

Segundo a delegada Larissa Barreto, esses fatores precisam ser analisados antes de qualquer conclusão. Ela ressalta, porém, que mesmo diante das dificuldades familiares, é necessário garantir que o idoso tenha assistência e não fique desamparado.

NEGLIGÊNCIA TAMBÉM É IDENTIFICADA FORA DAS UNIDADES DE SAÚDE

Os casos de negligência contra pessoas idosas, no entanto, não se restringem aos hospitais. Segundo a delegada responsável pela Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa, a unidade também investiga situações em que idosos são encontrados em condições de extrema vulnerabilidade.

Um dos casos registrados em 2026 envolve uma mulher de 93 anos, encontrada com aproximadamente 20 quilos. Ela foi localizada e resgatada no dia 3 de setembro, em um apartamento no bairro Vieiralves, na zona Centro-Sul de Manaus.

Dentro das unidades hospitalares, a situação também pode se prolongar por longos períodos. De acordo com a delegada, em 2025, o Ministério Público do Amazonas ingressou com uma ação relacionada a 12 idosos que continuavam internados mesmo após receberem alta médica.

Alguns desses pacientes permaneciam nos hospitais havia mais de seis meses. Em determinadas situações, o período de permanência ultrapassava um ano, embora não houvesse mais indicação médica para a internação.

Quando a pessoa idosa não conta com familiares ou responsáveis em condições de assumir os cuidados, uma das alternativas é o encaminhamento para instituições de acolhimento. Entre elas está a Fundação Doutor Thomas, em Manaus.

APOSENTADORIA E PENSÃO TAMBÉM ENTRAM NO RADAR DAS INVESTIGAÇÕES

As investigações conduzidas pela Polícia Civil também identificam casos em que o abandono ultrapassa a falta de cuidados. Há situações em que familiares deixam o idoso sem assistência, mas continuam movimentando ou utilizando valores que pertencem à própria vítima, como aposentadorias e pensões.

Essas informações são analisadas pelos investigadores para identificar possíveis violações de direitos e determinar a responsabilidade de cada envolvido.

Diante dos casos acompanhados pela unidade especializada, a delegada defende uma revisão da legislação para aumentar a punição aplicada a determinados crimes praticados contra pessoas idosas.

Na avaliação dela, embora o Estatuto da Pessoa Idosa tenha representado um avanço na proteção dessa população, algumas penalidades ainda não seriam proporcionais à gravidade das situações encontradas durante as investigações.

“O Estatuto da Pessoa Idosa é um avanço, mas é preciso endurecer um pouco mais as penas”, afirma.

Redação Giro92

Redação Giro92

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